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Dicas para fotografar imóveis e interiores

A maioria dos pedidos que eu recebo para fotografias de imóveis vêm de pessoas que querem arrendar ou vender os seus imóveis. Apesar de ser difícil dar dicas gerais sobre fotografia de interiores para este fim, há alguns aspectos que sempre tenho em mente durante essas sessões de fotos.

São dois os principais tipos de fotos que devem compor um álbum de um imóvel:
1. fotos que ilustrem de uma só vez uma grande parte de um cômodo;
2. fotos que ilustrem a relação entre os diversos cômodos do imóvel, para que seja fácil criar uma planta mental através das diversas fotos.

É imprescindível o uso de uma lente grande-angular para estes dois tipos de fotos. Eu uso uma Samyang 10mm f/2.8 em conjunto com a minha Fuji X-E1. Esta combinação cria imagens com cores muito vivas, pouca distorção espacial e uma nitidez e claridade espantosas. Aqui e aqui há dois exemplos de álbuns feitos essencialmente com esta combinação. Fiquei inicialmente em dúvida entre a Samyang e a Rokinon 12mm f/2 e acabei até comprando a Rokinon primeiro, que foi rapidamente devolvida pelo fato do anel de foco ser extremamente duro. O ponto de luz a menos da Samyang nunca foi um problema para mim até hoje, mesmo fotografando interiores com pouca iluminação, como neste ensaio da Sé Velha de Coimbra:

COMPOSIÇÃO
Acho muito importante prestar atenção à distribuição dos diferentes elementos pela imagem, porque isto terá uma grande influência na maneira como a imagem será – mesmo que inconscientemente –  recebida por seus observadores. Aqui vão algumas questões importantes que devem ser feitas durante a composição de uma foto: a sensação que se tem ao observar o quadro escolhido é harmoniosa, equilibrada ou há algum elemento que traz alguma tensão desnecessária ou perturbadora (como, por exemplo, um objeto que esteja parcialmente fora de quadro ou linhas inclinadas que deveriam ser retas)? O espaço será melhor representado por uma composição simétrica ou uma distribuição irregular dos móveis e outros objetos pelo quadro?

LUZ E TEXTURAS
Mesmo que, no momento de tirar as fotos, a intensidade de luz entrando no espaço seja baixa, é importante ajustar a exposição para que as fotos representem uma situação de pico de luz no espaço. Algumas vezes, são necessários até dois pontos de luz a mais do que originalmente indicado pelo fotômetro para conseguir este efeito. Neste caso, se houver janelas em quadro, normalmente terão que ser sacrificados os detalhes exteriores, que provavelmente ficarão superexpostos, para compensar a exposição correta do espaço interior. A Fuji X-E1, assim como algumas outras câmeras da série X da Fuji, possui um mecanismo genial que ajusta automaticamente a gama dinâmica de exposição, para que a perda destes detalhes seja minimizada. Mais detalhes aqui na seção “Escalonamento da faixa dinâmica”.

Na primeira foto acima, foi possível resgatar alguns detalhes das árvores da parte externa da casa durante a pós-produção, graças a este recurso da câmera. No entanto, o exterior atrás da porta ficou superexposto, já que os raios de sol estavam vindo diretamente daquela direção. Neste caso, a superexposição tornou-se, na verdade, um efeito positivo que salienta a intensidade da luz que entra no ambiente. A segunda foto, à direita, é um exemplo de uma situação em que foi necessário sacrificar os detalhes na parte exterior do cômodo, atrás da janela. A luminosidade interior aqui era muito baixa e tive que alterar manualmente a exposição sugerida pela câmera para obter um resultado agradável para o olhar. A prioridade aqui era claramente o ambiente interior.

Para realçar as formas e texturas dos móveis e objetos, é muito importante pensar na posição da câmera em relação à fonte de luz. Normalmente, os resultados mais agradáveis para os olhos são conseguidos quando a câmera é posicionada em um ângulo de no mínimo 90 graus em relação às janelas, mas isto depende evidentemente de cada caso e de muitos outros elementos como, por exemplo, a diferença de cores entre objetos e paredes. O que é fato é que quanto mais próxima a câmera estiver da fonte de luz, menos as formas e texturas serão realçadas e destacadas do fundo. Isto não é algo que deve ser sempre evitado ou visto como negativo, já que há espaços em que é a homogeneidade que deve ser realçada e não o contraste dos objetos em relação às paredes.

DETALHES
Além dos dois principais tipos de fotos que eu citei no começo deste artigo, procuro sempre fazer captar detalhes de alguns objetos de cada cômodo que possam transmitir um pouco mais do caráter do espaço para quem estiver vendo as fotografias. Para estas fotos eu normalmente uso a Fujinon 35mm f/1.4 ou a Canon FD 50mm f/1.4, com o diafragma todo aberto, para obter uma profundidade de campo bem pequena, colocando o fundo em desfoque, jogando toda a atenção para o objeto em questão. Neste tipo de foto é importante considerar quais partes do espaço – mesmo que desfocadas –  devem fazer parte da imagem e quais devem ser excluídas, já que esta escolha pode ter uma influência enorme na sensação que a imagem irá gerar no observador.

MOSTRAR OU NÃO MOSTRAR?

Na fotografia imobiliária, como em todas as áreas da fotografia, tão importante quanto o que está em vista é aquilo que se esconde fora do quadro. As decisões mais importantes na hora de fotografar não estão somente na escolha da exposição correta, na posição da luz em relação à câmera ou na escolha da lente certa, e sim na opção sobre o que mostrar e o que não mostrar em cada foto.

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